JORGE RODRIGUES SIMÃO

ADVOCACI NASCUNT, UR JUDICES SIUNT

Paradoxo da economia verde

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  “The dominant culture - civilization is killing the planet, and it is long past time for those of us who care about life on earth to begin taking the actions necessary to stop this culture from destroying every living being. By now we all know the statistics and trends: 90 percent of the large fish in the oceans are gone, there is ten times as much plastic as phytoplankton in the oceans, 97 percent of native forests are destroyed, 98 percent of native grasslands are destroyed, amphibian populations are collapsing, migratory songbird populations are collapsing, mollusk populations are collapsing, fish populations are collapsing, and so on. Two hundred species are driven extinct each and every day.”

 

Deep Green Resistance: Strategy to Save the Planet

Aric McBay, Uerre Keith and Derrick Jensen

 

A economia tem sido contemplada com um rótulo afrontoso de ciência funesta, desde que a frase foi forjada pelo escritor escocês do século XIX, Thomas Carlyle, que atacou um clima económico e político em que o pagamento a dinheiro se transformara, na sua opinião, no único vínculo entre os seres humanos.

Mais de cento e sessenta anos depois de a literatura de Thomas Carlyle ter criado uma nova geração de romances com uma consciência social, a capacidade de fazer pagamentos a dinheiro é muitas vezes o único modo, pelo qual uma vida humana é avaliada, mesmo por muitos economistas verdes.

Os direitos humanos universais parecem não ser compatíveis com os modelos informáticos, que partem do princípio que esses direitos são subsidiários de valores monetários. O economista inglês, Hazel Handerson afirmou que a economia entronizou algumas das nossas predisposições mais desagradáveis como a ganância, competição, gula, orgulho, egoísmo, miopia e a avidez pura e simples.

É de considerar, por exemplo, que a África do Sul era e continua a ser, ainda que tenha sofrido fortes evoluções positivas, um microcosmos de dilemas económicos e políticos mundiais, e deve-se interpretar os acontecimentos que ocorreram nesse país, nos últimos anos, como um motivo de esperança.

A sua maioria dominante, constituída pelos ricos, cedeu o novo poder político a um novo governo democrático, quase totalmente constituído por pessoas de raça negra, porque não existia alternativa, e ainda era possível o compromisso de defenderem os seus próprios interesses como efectivamente tem acontecido. O mesmo processo pode trazer soluções de longo prazo, a muitos dos dilemas ambientais da humanidade.

É de defender que a prevenção de mudanças catastróficas para o sistema de apoio à vida humana, a biosfera, também é do interesse de todos, até dos multimilionários, dos economistas e dos políticos. Se concentrarmo-nos nas negociações que envolvem a mudança climática global, é de alvitrar que as soluções não baseadas, têm poucas hipóteses de sucesso a longo prazo.

Vemos indícios de que um número cada vez maior de indivíduos que modelam a política económica mundial acredita que a actual crise ambiental, só pode ser ultrapassada se as soluções propostas, se basearem no igual valor de todas as vidas humanas existentes na Terra, mesmo contra os existentes e funestos pseudo-pensadores de que existem vidas com mais valor que outras, em particular nos hospitais públicos. Tais filósofos de pés de barro e de mente oca de ciência médica humana e repleta de orgulho balofo, nada parecem entender da natureza humana, da existência de um arquitecto superior designado por Deus e de gestão hospitalar hodierna.

A economia procura o estatuto honorífico de ser uma ciência, mas o seu divórcio dos processos ecológicos, dos quais dependem todos os processos económicos, em última análise, conta-se entre os factores que limitam a sua utilidade no mundo real. Tal como a bióloga americana Lynn Margulis, afirmou certa vez, os únicos seres verdadeiramente produtivos da Terra são aqueles que levam a cabo o notável processo biológico da fotossíntese, segundo o qual o dióxido de carbono (CO2) e a água se transformam em oxigénio e em hidratos de carbono.

Nesses organismos incluem-se as plantas e muitas bactérias, enquanto que os seres humanos se limitam a converter, a consumir, a expelir e a reciclar (esperemos!) essa produtividade. O produto nacional bruto de um país só pode ser biológico e, em menor escala, geológico, e não o resultado de estatísticas económicas sem sentido que actualmente são apuradas. Para ser sustentável, esse total não pode aumentar indefinidamente, tem de se estabilizar.

Qualquer sociedade que não se estabeleça pela via democrática e sem saber em que ponto é que a produtividade operacional humana deve parar, desembocará na luta interna ou entrará em conflito com os seus vizinhos. A maioria dos economistas não tem conseguido adoptar esta perspectiva mais ampla, porque toma o partido das ideias académicas e do poder político, como o historiador e biólogo Harmke Kamminga, afirmou de quer os políticos, quer os economistas se esqueceram, ou ignoraram deliberadamente, realidades ecológicas fundamentais, como a natureza finita de muitos recursos da Terra.

Muitas vezes, as suas soluções são um misto desagradável de modelos matemáticos objectivos e de pragmatismo político. Embora a macroeconomia que se desenrola no seio de estruturas políticas específicas de pequena escala onde, por exemplo, os indivíduos partilham o interesse comum da sobrevivência e estão confinados a limites ecológicos claros, tenha alcançado um certo êxito, a base intelectual da macroeconomia está fatalmente enfraquecida pelo facto de ser obrigada a excluir essas realidades incómodas, devido à relação estreita do tema com o pragmatismo e os compromissos políticos.

Os economistas que partilham esse poder, muitas vezes compartem também a arrogância e a ignorância em relação às terríveis condições de vida que impõe a milhões de pessoas, apesar de elas existirem mesmo à sua porta. O maior obstáculo que se deparou aos economistas quando pretenderam modificar os seus modelos no sentido de adaptá-los à realidade, foi a noção profetizada por Thomas Carlyle, de que tudo, desde o ar puro, aos desafios de futebol, até as pessoas tinham um valor monetário.

Quando o dinheiro se tornou mais do que um substituto legal conveniente para trocar recursos como alimentos, gado e materiais de construção, então a loucura bolsista tornou-se inevitável, passando o dinheiro por si só a controlar as pessoas e não ao invés como devia de ser. As regras que regem a maior parte dos economistas só favorecem a criação de mais dinheiro, sem qualquer referência às pessoas ou aos recursos necessários, para não se falar da sua capacidade inesgotável de fomentar a produção de pedaços de papel colorido. Quando assenta nestes alicerces a economia verde é um paradoxo.

O “Intergovernamental Panel on Climate Change (IPCC)” foi criado pelo “Programa das Nações Unidas para o Ambiente” e pela “World Meteorological Organization”, para apurar se as suas actividades humanas estão a afectar o clima mundial e, em caso afirmativo, para determinar o que deve ser feito. Durante os últimos 140 anos, a temperatura mínima global, aumentou pelo menos 0,6° C. O nível das águas do mar subiu. Os pedidos de indemnização às companhias de seguros por danos causados pelo tempo são, em termos reais muito superiores aos de há 30 anos. Além disso, até 2050, poderá registar-se uma subida rápida e irreversível da temperatura.

Em 1990, o IPCC confirmou que existia o risco de se verificar uma alteração de clima catastrófica, a menos que os níveis dos gases de estufa se estabilizassem, o que não sucedeu. Na sua opinião, implicaria que os seres humanos teriam de reduzir as emissões de gases de estufa entre 60 a 80 por cento. A “Greenpeace” enviou um inquérito a todos os cientistas internacionais do clima envolvidos no estudo do IPCC, e a outros que tinham publicado textos importantes acerca da alteração climática nas revistas “Science” e “Nature”, durante o ano de 1991.

Num total de 113 respostas, 13 por cento reconheciam que, se as emissões de gases de estufa prosseguissem ao ritmo actual, seria provável que se registasse um efeito de estufa; 32 por cento afirmaram que era possível que se registasse um efeito de estufa; 47 por cento admitiram que não era provável que ele se registasse. Os recentes relatórios dos IPCC demonstram quão enganados estavam a maioria dos cientistas.

A “Organização Económica para a Cooperação e Desenvolvimento (OCDE)” admitiu que a taxa de mortalidade se cifraria em centenas de milhares devido às alterações climáticas globais. Prognóstico em fase de concretização. Por conseguinte, muitos ambientalistas esperam que a economia seja obrigada a readaptar-se a certas realidades ecológicas.

 

Jorge Rodrigues Simão, in “HojeMacau”, 05.08.2011
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