JORGE RODRIGUES SIMÃO

ADVOCACI NASCUNT, UR JUDICES SIUNT

Novas tecnologias ambientais

“There is no doubt that most of the environmental problems, which we are dealing with, are a result of improper management of industrial activities. Available techniques are used to reduce the emissions and the impact on the ecosystem, but stresses on the ecosystem continue. Besides the development of environmentally sound technologies based on waste minimization, energy efficiency and better use of resources, environmental technology research and development continues to lower future expenditures, to address specialized problems more efficiently and to achieve the required industrial and environmental standards.”

Environmental Technologies, New Developments

E. Burcu Özkaraova Güngör

No passado, as novas tecnologias passaram rapidamente a fazer parte das nossas vidas, e os seus custos sociais e ambientais só se manifestaram mais tarde. Será possível, fazer antecipadamente e com rigor, análises de custo-benefício das novas tecnologias? A história diz-nos que não.

Somos tão ignorantes quanto à natureza biofísica do planeta, que não conseguimos prever as consequências, a longo prazo, da maior parte dos acontecimentos. Tomem-se dois exemplos. Quando foi construída a primeira bomba atómica, a que conclusões se teria chegado com uma análise custo-benefício?

As vantagens consistiam no facto de as bombas, poderem apressar o fim de uma guerra suja e, desse modo, salvarem inúmeras vidas. Sabia-se vagamente que as radiações provocavam mutações. Talvez um futurista destemido, tivesse previsto uma corrida aos armamentos à escala mundial, embora a ex-União Soviética, não fosse na altura o inimigo do Ocidente.

Mas ninguém poderia ter previsto, a poeira radioactiva que foi descoberta no Atol de Bikini, nas Ilhas Marshall, as bombas de hidrogénio, as vibrações electromagnéticas de raios gama ou o inverno nuclear, porque tais revelações se deram após o fim da II Grande Guerra Mundial.

Pensemos nos pesticidas. Se na época em que do Dicloro-Difenil-Tricloroetano (DDT) começou a ser usado como pesticida, se tivesse sido feita uma análise de custo-benefício, as vantagens em matar os insectos nocivos à agricultura, os transmissores de doenças ou apenas os insectos importunos eram óbvias.

Os geneticistas teriam sugerido que, ao seleccionaram genes resistentes, os pesticidas depressa perderiam a sua eficácia, e os ecologistas poderiam ter assinalado que, como os insectos correspondem a 90 por cento das espécies animais, são o mais omnipresente e decerto, o mais importante grupo de animais na Terra.

Quando só uma em mil espécies de insectos, é nociva ao homem, a pulverização com produtos químicos que matam todos os insectos, só para atingir um que nos incomoda, não faz muito sentido em termos ecológicos.

Mas ninguém se teria referido à bioampliação, o processo através do qual os níveis de concentração de moléculas são centenas, milhares ou até milhões de vezes superiores à cadeia alimentar. É por isso que só tivemos conhecimento do fenómeno da bioampliação, quando certas aves, como as águias começaram a desaparecer devido aos níveis elevados de DDT.

A crise económica mundial atingiu severamente a indústria automobilística, e a atenção dos fabricantes concentrou-se nos países emergentes, em particular na China, que substituiu os Estados Unidos, como primeiro mercado mundial. O Salão do Automóvel de Paris, teve a sua abertura dia 2, e pelo período de duas semanas, e nele foram apresentados modelos de luxo, os italianos da Ferrari, franceses da Citroën, Renault e Peugeot, alemães da. Mercedes e americanos da Ford.

 Porém, foram os carros eléctricos, as estrelas do salão. Mais de trezentos fabricantes de automóveis, de vinte países, fizeram-se representar, num mercado que começa a preparar a pós-crise económica mundial, com dezenas de novos modelos em que sobressaem os carros eléctricos.

O endurecimento das leis sobre as emissões de gases de efeito estufa, as preocupações com o meio ambiente, e a incerteza sobre os preços do petróleo, influem presentemente de forma estável no sector automóvel. Por isso, os fabricantes de automóveis continuam a investir com entusiasmo, nas novas tecnologias para reduzir o consumo e as emissões de dióxido de carbono (CO2).

A parte visível do iceberg são as novas tecnologias, mas os factos reais, demonstram que as vendas de grande envergadura, continua a ser dos veículos muito tradicionais. O Salão do Automóvel de Paris é o mais frequentado do mundo, e teve acima de 1,5 milhões de visitantes.

A China produzirá um milhão de veículos eléctricos em 2020. Os carros eléctricos, são a chave do desenvolvimento do mercado do automóvel e, por este motivo, decidiu apostar neste sector. Trata-se, de uma forma de combater a poluição, calculando-se que 70 por cento desta contaminação, provêm da emissão de gases resultantes da combustão de combustíveis líquidos, produzidos pelos carros e ciclomotores, e a fim de aumentar o uso do transporte público.

Neste sentido, o governo chinês também pretende intervir ao máximo neste tipo de produção sustentável, tendo intenções de mudar gradualmente a actual frota de transportes públicos, por veículos eléctricos. A partir de 2009, o automóvel eléctrico foi adquirindo importância, e consolidou-se como uma quota de mercado cada vez mais viável e sólida, tendo sido investido no sector o equivalente a 1,5 mil milhões de dólares.

A China é o líder mundial no mercado automobilístico, dado que no passado ano foram vendidas 13,64 milhões de unidades, e este ano o sector crescerá cerca de 47,5 por cento. O governo chinês anunciou em Junho, que subvencionaria a compra de carros eléctricos, com o objectivo de reduzir as emissões. Em cidades como Xangai, Shenzhen Hangzhou e outras, serão dados subsídios, até cerca do equivalente de nove mil dólares, para que os cidadãos adquiram este tipo de automóvel.

 A lição que a história nos dá é que as vantagens das novas tecnologias são imediatas e óbvias, e é por isso que gostamos tanto da novidade. Todas as tecnologias têm custos, por muito benéficas que sejam, não sendo possível prever com antecedência, se produzirão mais prejuízos que benefícios, porque pouco podemos adivinhar em termos de consequências futuras.

A economia é uma criação humana, que parece querer andar, cada vez mais desfasada do mundo real, como caminha o mundo da juridicidade. A maioria dos mais proeminentes economistas, não fala dos limites do crescimento ou dos recursos. Consideram talvez, que sendo a mente humana, o maior recurso, tem um potencial ilimitado.

Acreditam quiçá, que serão descobertos novos recursos quando esgotarmos os actuais, e que inventaremos novas tecnologias ou alternativas, ou que transitaremos para outros lugares do universo. O que é ainda mais pernicioso, é que o ar, a água, o solo e a biodiversidade, são classificados como factores externos da economia; nem sequer são uma parte central dessa criação.

Isto permite, que os principais actores da ciência económica tenham construído, um sistema de valores baseado na utilidade humana. Se algo nos for útil, então tem um determinado valor. Se não for, não vale nada. É um enorme chauvinismo do ser humano, uma espécie entre trinta milhões de outras, que atribuamos um valor a tudo.

A economia global que atormenta os países em todo mundo, parece ser a chave do seu progresso e da sua prosperidade futura. O dinheiro não se baseia, presentemente na realidade, acabando por se representar apenas a si próprio, e pode multiplicar-se sem qualquer relação com o mundo real.

A luta de governos e bancos no sentido de controlar deficits e valores monetários, revelou ao longo destes três últimos anos, algo de terrível, dado que os especuladores gastaram e continuam, mais de um trilião de dólares nos mercados monetários, atrofiando a maior parte das economias. Nada têm feito em favor do planeta, excepto fabricar dinheiro.

Jorge Rodrigues Simão, in “HojeMacau”, 22.10.2010
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