JORGE RODRIGUES SIMÃO

ADVOCACI NASCUNT, UR JUDICES SIUNT

Homem pústula ambiental

“The globe we live in have two types of environments, one is natural environment of air, soil, water, hills, trees (abiotic), etc., and the other one is plant, animals (biotic), etc., which is to called social environment. Man has managed to create comfortable habitat, using science and technology, religion and politics. In fact both the environments are lively and lovely. But with comfort comes propagation, the biological growth qualitative and quantitative, resulting in unhealthy by products, which are in the form of solid, liquid and gaseous. Soon we find our paradise is transformed into inferno by our own activities”

 Environmental Education and Solid Waste Management

A. Nag and K. Vizayakumar

 

São muito poucos os habitantes das zonas urbanas que compreendem que, como seres biológicos, continuamos a depender do mundo natural para viver. Temos uma necessidade absoluta de ar, água e do solo, através dos alimentos que ingerimos. Estes fazem parte de um todo comum e global, que não compreendemos nem controlamos inteiramente, e são os sustentáculos das economias globais.

A interdependência de toda a vida existente na Terra e o ambiente físico, é que tornam o planeta acolhedor para a vida humana. Ao desligarmo-nos do mundo natural, podemos continuar a pensar que, apesar das aves nidificarem nas imediações de certos lagos tradicionais, e nalguns deles os peixes que lá vivem, terem uma taxa elevada de anormalidades evolutivas e de tumores, os seres humanos podem continuar a beber a sua água e a poluí-la.

Pensamos que conseguimos livrar-nos de grandes quantidades de produtos químicos tóxicos diluindo-os na atmosfera, na água ou no solo, ou impingindo-os para os países mais pobres. Não reconhecemos, por exemplo, que os sinais das baleias-beluga cujo teor de toxicidade é tão elevado, que não lhes podemos tocar, milhares de focas que morrem no mar do Norte e o desaparecimento ou extinção das espécies, são sérios avisos, porque não nos sentimos a eles ligados.

Algumas décadas atrás, os mineiros levavam canários para os túneis, para saberem quando estavam rodeados de gases perigosos. Actualmente os canários morrem à nossa volta, devido às alterações climáticas, mas não reconhecemos os sinais, porque nos convencemos de que somos diferentes.

O senso comum diz-nos agora que, na falta de um entendimento claro das consequências do que estamos a fazer à Terra, devíamos desde há muito reduzir a poluição e o uso excessivo do solo, para que, pelo menos, não se verificasse um aumento anual. Assim não tem sido.

Mas, como em todos os actos de abnegação, não é fácil agir, a menos que aconteça algo. É impossível imaginar ou prever qualquer acontecimento mais empolgante dos que aconteceram, que nos leve a renunciar à poluição. A poluição está a provocar graves alterações climáticas e a matar a vida no planeta.

As alterações climáticas estão a criar transformações no sistema económico a nível global, e temos como exemplo, a Rússia, que não vai exportar cereais até pelo menos 2012, para manter o consumo interno, resultado de uma crise provocada por incêndios florestais e diminuição de colheitas, e que tem uma relação directa com as alterações climáticas.

Esta mudança não é apenas uma transformação física, a ponto da paisagem de algumas cidades europeias e não só, poderem vir a ser num futuro não muito distante, parecidas às de alguns desertos americanos, mas também está a influenciar pelas modificações económicas e o que implicam, que é um desafio e um risco que devemos enfrentar como membros da sociedade nacional e global.

É um dos reptos globais da humanidade que a condicionam e transformam, ainda que existam outros importantes e significativos, como os derivados dos desastres naturais, como o terramoto do Haiti, as inundações no Paquistão ou a erupção do vulcão na Islândia, pela repercussão económica que têm e pela mobilização de recursos que provocam.

É de salientar os riscos globais da saúde, como a gripe A, há um ano, que seria impossível que o mundo pudesse suportar uma situação de alteração sobre a saúde, uma vez que se pode transformar de uma ocorrência local num risco global, e que outro desafio é o tema da segurança, por exemplo, nos aeroportos dos Estados Unidos, onde as pessoas têm que passar horas a serem analisadas de todas as formas e feitios possíveis.

Uma reflexão vinculada ao sector mais importante que cria e introduz alterações climáticas e de que a energia é a base da nossa actividade e que parece algo consubstancial. Uma crise deste recurso, que atingisse um custo excessivo, estivesse limitado ou não se pudesse produzir, alteraria notavelmente as condições de vida da população do mundo, em que a maior parte das emissões de gases de efeito de estufa que se produzem no planeta, estão ligados ao transporte, produção e consumo.

Urge fazer uma reflexão sobre temas como as emissões, das quais estão isentas as energias renováveis, pelo que terá de se contabilizar qual o estado de cada uma e a sua contribuição para as alterações climáticas, de forma que, terá que ser submetida a discussão as características das emissões da produção de energia.

A energia eólica em alguns países da Europa ganhou um relevo substancial, representando uma percentagem elevada de energia consumida, sem embargo deste tipo, de energia alternativa ser descontínua, pelo que necessita de uma maior capacidade instalada.

O protocolo de Quioto, a eficiência energética, ou um novo modelo energético para os países, devem constituir parte da agenda a ser discutida na Cimeira de Cancún, que se realiza entre 29 de Novembro a 10 de Dezembro.

Vivemos uma época em que os cientistas, enquanto profissionais, parecem ter perdido de vista que a Terra é um planeta, enredados como estão nos pormenores. Consequentemente, quando confrontados com preocupações de índole ambiental, tendem a pensar em perigos específicos para as pessoas, em especial para si mesmos, e ignoram certos riscos que surgem à escala planetária.

O principal receio, quer a nível pessoal, quer a nível geral, é o do cancro. Assim, qualquer substância química ou radiação existente no ambiente e que se julgue ser causadora do cancro, é alvo de uma atenção desproporcionada em relação ao risco real que representa.

A energia nuclear, a depleção do ozono e substâncias químicas como a dioxina e os bifenis policlorinados (PCBs) são considerados os maiores perigos ambientais, devido a este medo, mas também porque as radiações nucleares e os halocarbonetos são fáceis de medir.

É de crer que os perigos potenciais dos gases de estufa e do uso excessivo do solo foram ignorados até há pouco tempo, porque causam perturbações no planeta, e não necessariamente nos seres humanos, e porque são muito mais difíceis de quantificar.

 

Jorge Rodrigues Simão, in “HojeMacau”, 15.10.2010
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