JORGE RODRIGUES SIMÃO

ADVOCACI NASCUNT, UR JUDICES SIUNT

Desflorestacão e ambiente

Quando adquirimos um certo controlo dos factores, que influenciavam a nossa vida, adaptámo-nos a vários “habitats”, dado que o ser humano é um eterno “vir a ser”, que iam da floresta da Amazónia aos desertos da Austrália, às enormes planícies africanas e à tundra do Árctico.

Alguns, conseguiram adaptar-se a Nova Iorque, Londres e São Paulo. Esta transformação cultural e social, foi mais rápida que a alteração genética, registada numa determinada espécie, mas desenrolou-se ao longo de séculos ao até de milénios. Actualmente, a mudança, tornou-se uma componente normal do nosso modo de vida.

Presentemente, as alterações tornaram-se uma componente normal da nossa forma de vida. Esperamos com ansiedade e saudamos até, quase todas as modificações, e consideramo-las um sinal de progresso. A nossa capacidade de adaptação a mudanças rápidas, fez-nos perder a perspectiva do tempo e da velocidade.

Assim, enquanto os povos primitivos de certas regiões do globo, continuam a pensar em estruturas temporais, que abrangem gerações passadas e futuras, as nossas prioridades são muitas vezes impelidas por modelos anuais de automóveis, ou pela moda no domínio do vestuário, por dividendos pagos periodicamente, ou pelo próximo depósito do salário. Por outras palavras, esquecemo-nos depressa das coisas, e não temos referências, com as quais possamos comparar o presente.

Uma das lições mais importantes que os povos primitivos nos ensinaram, foi a ouvir os membros mais velhos. As pessoas mais idosas dos países desenvolvidos, dizem que a vida se alterou nos últimos 70 anos, a ponto de ficar irreconhecível. A maior parte, são desprezados pelos governos, quando deviam ser os mais acarinhados, porque são o único registo vivo das enormes mudanças que ocorreram no espaço de uma vida humana.

Ao projectar no futuro as alterações vividas, é evidente que os nossos filhos, vivem actualmente num mundo radicalmente diminuído, e que o planeta não pode manter este ritmo de mudança, durante mais um século. No passado, dizia-se, que existiam muitos mais recursos naturais no local, de onde os presentes tinham vindo.

No presente não existe abundância. Em todo o planeta, a selva está a desaparecer e, com ela, cerca de cinquenta mil espécies por ano. No passado, outros encolheriam os ombros e diriam que era o preço do progresso. Mas, não é progresso esgotar o que deve ser a herança dos nossos filhos, e de todas as gerações futuras.

Os maiores obstáculos que enfrentamos, para nos convencermos da gravidade da crise ecológica que vivemos, são os filtros físicos, através dos quais captamos a realidade. Esses filtros, considerados de verdades sagradas, são noções que se encontram tão profundamente enraizadas, que são dadas por certas e nunca questionadas, apesar de serem muitas vezes, as causas dos problemas por resolver.

Consideramos que os seres humanos são superiores a outras formas de vida e, como a nossa inteligência nos permite compreender e controlar o que nos rodeia, estamos fora do mundo natural. Cerca de 91 por cento de americanos e 80 por cento de europeus, vivem nas cidades e em aglomerados urbanos.

Vivemos num ambiente criado pelo homem, que dá a ilusão de que podemos gerir o que nos envolve. Além disso, a própria noção de estado selvagem, ou as nossas raízes biológicas tornaram-se depreciativas. Os silvicultores falam das antigas florestas, chamando-as de “florestas selvagens”, e referem-se às plantações de árvores que as substituem como “florestas normais”.

As “florestas normais”, são a opção mais competitiva, na luta contra as alterações climáticas, como afirmou o diretor-geral-adjunto do Departamento Florestal da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (em inglês, FAO), durante o XXIII Congresso Mundial da União Internacional de Organizações de Pesquisa Florestal (em inglês, IUFRO), cujo tema foi “Florestas para o Futuro: a manutenção da sociedade e do meio ambiente.”, realizada, entre 23 e 28 de Agosto, em Seul.

Acrescentou, que o adequado uso dos recursos florestais, pode recuperar os níveis de dióxido de carbono (CO2), da era pré-industrial, em cem anos. Outros intervenientes defenderam, que redução do desflorestamento, exige uma concentração sistémica e apresentaram evidências científicas, que constatam o binómio “florestas normais” e saúde, tais como, dois ou três dias na natureza, aumentam os níveis de serotonina, um neurotransmissor, que reduz a depressão, distúrbios digestivos e a agressividade.

Mais de 2750 participantes, de 92 países, estiveram no evento. Durante seis dias, realizaram-se cerca de 180 reuniões, em que foram apresentados, cerca de dois mil trabalhos de investigação, em domínios como as alterações climáticas, biodiversidade, uso sustentável das “florestais normais”, comunidade e culturas, ou florestas, saúde e segurança ambiental.

 O tema mais importante, que arrasta as ditas “florestas normais” ao palco do teatro mundial, é o papel que desempenham, face às alterações climáticas globais, dado serem um grande depósito de CO2, e o desflorestamento e a degradação serem responsáveis, actualmente, por 20 por cento das emissões mundiais. Esta taxa é maior, que a de todo o sector mundial do transporte.

O reconhecimento desta situação foi a única vitória ambiental palpável, surgida da Cimeira de Copenhaga sobre a Alteração Climática (COP 15), realizada, em Dezembro de 2009, com a criação de incentivos à conservação das “florestas normais”, através do mecanismo REDD+ (Redução de Emissões provenientes de Desmatamento e Degradação).

O Fundo Monetário Internacional (FMI), um mês após a realização da Cimeira de Copenhaga, criou um fundo de investimento, superior a 100 mil milhões de dólares, destinados a estes projectos. As “florestas normais” podem ajudar na luta contra as alterações climáticas, não só, mediante a conservação das áreas florestais existentes, mas também devido ao uso sustentável de produtos das florestas, para a construção ou produção de energia, contribuindo para reduzir as emissões, ao substituir outras fontes de maiores taxas de emissão, como o aço, concreto (mistura de cimento, água, pedra e areia) e plásticos.

O uso adequado dos recursos florestais, poderia fazer recuperar os níveis de CO2 atmosféricos da era pré-industrial, em apenas 100 ou 150 anos. Uma grande oportunidade, para uma solução complexa. Os investimentos em REDD+, supõem uma grande possibilidade para a melhoria das florestas selvagens e normais do mundo, mas não será uma solução simples.

Sem dúvida, que se abre a porta a um grande número de sinergias. Conservar as florestas e evitar a sua degradação, é algo de muito positivo para a biodiversidade. As florestas, independentes do tipo e designação, são um dos lugares, onde as mais variedades espécies habitam. Estes investimentos representam, uma oportunidade, para a melhoria das condições de vida dos países desenvolvidos e em desenvolvimento.

É onde se concentram as maiores taxas de desflorestamento e degradação. Será um amplo criador de emprego em países, com Portugal e Espanha, que vêm os seus recursos florestais, todos os anos, delapidados por falta de limpeza, e que mãos assassinas e a negligência dos governos autárquicos e populações consentem, muitas das vezes por falta de recursos, ou mero comodismo.

Portugal e Espanha e outros países em idênticas circunstâncias, podem reduzir em mais de 5 por cento as actuais taxas de desemprego, criando empregos neste sector produtivo e ambiental.

O lucro será inestimável, dado proteger recursos naturais; criar melhoria da qualidade de vida; diminuir consideravelmente as emissões de gases causadores de efeito de estufa, produzidos por devastadores incêndios; diminuição da criminalidade, marginalidade e exclusão social, acrescido da transformação com aplicação de tecnologias ambientais de resíduos florestais e outros, em produtos verdes.

O social e ambiental deve proceder o político e a economia de consumo. Os países estão a agravar as suas crises, porque os governantes não querem admitir uma “terza via”, que não é incompatível, com as outras duas tradicionais, mas que a complementam.

 Jorge Rodrigues Simão, in “HojeMacau”, 07.10.2010
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