JORGE RODRIGUES SIMÃO

ADVOCACI NASCUNT, UR JUDICES SIUNT

Futuro energético

“The utilisation of renewable energies is not at all new; in the history of mankind renewable energies have for a long time been the primary possibility of generating energy. This only changed with industrial revolution when lignite and hard coal became increasingly more important. Later on, also crude oil gained importance.”

Renewable Energy

Technology, Economics and Environment

Martin Kaltschmitt

Wolfgang Streicher

Andreas Wiese

As alterações climáticas fazem repensar o futuro dos hidrocarbonetos, das energias alternativas e dos problemas e desafios que são impostos às empresas industriais. Ainda que, o mundo esteja mergulhado numa profunda crise económica, a previsão deve ser feita a longo prazo, ou seja, deve-se realizar um processo intelectual de imaginação, no sentido de definir o estádio da indústria energética, e qual a sua importância nos próximos quarenta anos.

Tendo esse sinal como referência, é possível crer em três situações, quando os sinos repiquem o dobrar do ano 2050. A primeira, será de que a procura energética duplicará, mesmo tendo em conta a sua poupança, dado que a população mundial terá passado de 6000 milhões a 9000 milhões de pessoas, continuando o automóvel e a electricidade caseira a ser considerados bens essenciais.

A segunda, é de que a indústria tradicional de petróleo e gás não conseguirão satisfazer a procura, uma vez que a produção mundial de crude, deve iniciar um ciclo de quedas na próxima década. O tempo do petróleo barato acabará, pois existe um significativo risco do volume disponível para consumo mundial, de atingir o nível máximo e iniciar a descida, antes do tempo previsto, provocando a imediata subida de preços.

O apogeu da produção será alcançado antes de 2020, não em 2030 como muitos prevêem. À queda da produção do petróleo, seguir-se-á a volatilidade dos preços e o aumento dos investimentos noutro tipo de combustíveis, mais poluentes que o clássico crude. O consumo mundial de crude anual é de 34000 milhões de barris. A continuar este consumo desenfreado até 2030, serão consumidos mais de 680000 milhões de barris, representando 61 por cento das reservas globais confirmadas como recuperáveis de crude.

A redução da produção não será feita de forma abrupta, mas progressiva, dando tempo aos governos para se prepararem e adoptarem políticas, como as de desenvolvimento de energias limpas e renováveis, uso de carros eléctricos e rentabilização dos transportes públicos. Por sua vez, ao gás natural está reservado um papel de uso crescente no futuro modelo energético, sobretudo na produção de electricidade nas próximas décadas, quer pela exaustão do petróleo, quer pelo facto de o gás natural ser mais amigo do ambiente.

A terceira, é o facto de o dióxido de carbono (C02), constituir um grave problema no quadro das alterações climáticas e do efeito de estufa, não existindo soluções fáceis de implementar para redução significativa deste gás poluente.

A visão a curto prazo é de que a recessão económica mundial está a provocar a diminuição da procura. A longo prazo a procura tem tendência a crescer. A saída da economia mundial da recessão, cuja previsão é difícil de ser feita, provocará o aumento da procura energética e a vivência actual será considerada um tropeço. O cenário quanto ao preço da energia é de preços altos por não existirem soluções fáceis, quer em termos de petróleo, quer em termos de gás natural.

As energias alternativas virão, mas não serão, igualmente baratas para os consumidores. No momento, a maior procura é por combustíveis fósseis. No dealbar de 2050, uma parte significativa da procura continuará a ser ainda, por combustíveis fósseis, mas as energias alternativas terão ganho posição no mercado mundial.

A grande oportunidade e desafio posto às empresas industriais, é o de produzir mais energia com menor emissão de dióxido de carbono. Mais energia, significa mais petróleo e gás natural, e menos dióxido de carbono, só possível pelo recurso ao biocombustível da próxima geração, com o uso de recursos não alimentares, como o etanol celulósico. Este combustível é produzido a partir de matérias-primas como a forragem de trigo, sendo possível reduzir em 90 por cento as emissões de dióxido de carbono, quando comparado com o uso da gasolina.

O dióxido de carbono pode ser armazenado de forma a não produzir poluição. Trata-se de um método altamente dispendioso. Seria um encargo incomportável para as indústrias, especialmente as mais poluentes. Aos governos cabe definir as políticas de protecção ambiental, e no seu âmbito criar um modelo flexível quanto à forma ambientalmente correcta, pela qual a actividade industrial se deve desenvolver e dentro desses parâmetros, as empresas industriais devem definir o seu modelo de comércio competitivo.

Na criação do modelo por parte dos governos e adentro da agenda das alterações climáticas, as empresas industriais igualmente, deverão indicar um plano de acção, concernente ao seu contributo para a diminuição das emissões de dióxido de carbono, como o recurso a novas tecnologias, a forma de o implementar e pôr em funcionamento, os custos inerentes e o período de recuperação do capital investido, para que os governos criem a apropriada legislação.

Tais tarefas, não serão fáceis para os governos, dado que a questão da poluição por emissão de dióxido de carbono ser um tema global. A criação de legislação ambiental num país e por exemplo, no país vizinho, pode conduzir a legislações entre si completamente díspares, que conduzirá à existência de um campo de actuação desigual para a indústria energética.

Aquando da feitura das legislações ambientais, dever-se-ão incluir os conceitos e seguir as regras internacionais, dado existirem demasiadas legislações distintas entre países a nível mundial, e só desta forma será possível evitar tal diversidade. A existência de sistemas legislativos desiguais, entre países, no domínio ambiental afectará o crescimento económico e desincentivará a redução das emissões de dióxido de carbono.

Neste quadro de actividade industrial, devem as empresas considerar que no mundo após recessão, urge ponderar a grande questão da liderança. É um conceito fácil de aprender e difícil de executar, pois liderar é mais que um processo dinâmico de iniciar uma acção em determinado ponto, para se atingir outro.

Tal situação não é liderança, pois para existir, terá de se determinar o percurso futuro da instituição, seja pública ou privada, a percorrer nos próximos cinco anos e transmiti-la aos trabalhadores e participantes do processo dinâmico. Não se trata de mal explicar como é hábito nas universidades e institutos, por meio de um “power-point” com cinquenta quadros.

A verdadeira arte de ensinar, consiste em desenvolver a matéria num período curto, verosímil em pensamentos e fundamentos determinados, que expliquem o porquê da opção por uma solução em detrimento de outra. Nunca deve ser uma explicação demasiado optimista, nem demasiado pessimista.

A apreciação das situações deve ser séria, porque só assim poderá alcançar credibilidade. O hábito é ouvir nos corredores de universidades, institutos, cursos de formação e outros quejandos, pessoas comentarem que o professor ou formador parecem ter sabedoria, pela forma como falam.

Que não lhes agrada a matéria, mas deve ser a verdade. Nada disto é liderança, termo elegante, que é mais usado como “governação” e que alcança os píncaros da intelectualidade latina, se for declamado como “governance”.

No mundo latino e não só, todos praticam “governance” sem saber muitas das vezes, de que coisa se trata. Nem definem, nem fazem. Por último, nas organizações há que saber organizar e determinar de forma clara, as responsabilidades que a cada um cabe na estrutura das respectivas instituições. Trata-se de um princípio primário e essencial de qualquer modelo de gestão que aplicado à actividade industrial poluente fará revivescer o princípio da protecção ambiental e da sustentabilidade económica.

Jorge Rodrigues Simão, in HojeMacau, 04.12.2009
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