JORGE RODRIGUES SIMÃO

ADVOCACI NASCUNT, UR JUDICES SIUNT

O efeito de estufa (1)

“Econosphere is our social environment, where we work, live, raise our families, and govern ourselves. We need to start thinking about the economy as a holistic, natural system.”

The Econosphere

Craig Thomas

A economia industrial a nível mundial menos dependente de hidrocarbonetos é a Suécia, dada à sua carência no momento ser de 32 por cento, relativamente aos quase 80 por cento, de há quase quatro décadas antes. Os Estados Unidos têm necessidades que são satisfeitas em quase 90 por cento por recurso ao petróleo e gás natural.

Na Suécia, em dez anos, os carros vendidos e alimentados a etanol passaram de 1,5 por cento para 16 por cento, constituindo uma melhoria significativa em termos de poluição ambiental, dado que um motor que use este tipo de biocombustível tem uma redução de cerca de 90 por cento de emissões de dióxido de carbono em relação aos que utilizam um produto refinado do petróleo, como é a gasolina e o gasóleo. Os fabricantes suecos de veículos automóveis ligeiros e pesados oferecem a possibilidade de usarem etanol, gasolina, gasóleo e uma mistura.

Alteração desta grandeza parece que exigiu do governo um sério e enorme empenho, abrangendo milhares de pessoas, elevados subsídios e investigações dispendiosas durante largos anos. Até há pouco tempo não se pensavam em tais custos. Pelo contrário, tal atitude deveu-se a inumeráveis associações que se expandiram calmamente, sem produzir ruídos e turbulência com a compreensão e adesão de dirigentes governamentais e empresariais, característico do modelo social da Suécia e restantes países escandinavos.

Esta mudança produzida, pode ser considerada como exemplo de tipo de inovação essencial, ou seja, modificações capitais que criam indústrias, remodelam as existentes, reformam sociedades e reeducam mentes.

Maravilhas como a electricidade, automóveis, aeronáutica ou informática envolvem não apenas altas tecnologias, mas também uma sequência de invenções, experiências, tipos de negócios e novas formas de gestão. As alterações climáticas têm-se manifestado de forma mais intensa nos últimos anos, levando ao aparecimento de uma vaga de inovações essenciais.

Algumas empresas americanas estão a substituir componentes derivados do petróleo por combustíveis verdes, polímeros de soja ou termoplásticos a partir do açúcar. Os alemães lideram com uma extensa rede de locais de venda de biodiesel puro, feito com óleo de cânula. A França é a segunda maior produtora, que mistura 5 por cento de biodiesel ao óleo de origem petrolífera.

Pode entender-se que tais actos se apresentam isolados. Não é verdade, pois são resposta às questões de maior preocupação e seriedade no mundo e relacionadas com os riscos do efeito de estufa, aumento de resíduos tóxicos e exaustão dos recursos não renováveis, liderados pelos hidrocarbonetos.

Este conjunto de condições, estimula o aparecimento de novas ideias, comportamentos e formas de procedimento. Recorrendo a história, pode-se aperceber, que o século XVIII, caracterizado por ser o da época industrial, apresentou-se como um tipo de bolha, idêntico às de cariz financeiro ou bolsitas do presente e mostrando a mesma dificuldade de sustentação a longo prazo.

O desenvolvimento do mundo não tem sido mais que um ciclo de bolhas especulativas temporárias, com maior ou menor grau de intervencionismo estatal.

Bolha ou borbulha significa de forma simplista, em termos de mercado, um facto onde os preços de activos, como rosas da Madeira, vinho do Porto, acções, bens imóveis, empresas ponto com excedem os seus valores reais. Quando rebentam, aparece a questão geral, acerca de qual a razão para tal aquecimento em excesso (fenómeno de sobreaquecimento) e as consequentes quedas que se renovam e punem os especuladores e operadores das bolsas, tidos teoricamente como pessoas cultas, bem informadas e inteligentes.

A resposta é simples. Nos períodos de entusiasmo excessivo existem duas perspectivas, uma do interior da bolha e outra do exterior, e cada uma é considerada a verdadeira e correcta, para quem a defende em conformidade com os seus interesses e de terceiros que representa.

À medida que a bolha adquire maior volume, aumenta o número de aderentes arrastados pela utopia dos ganhos. Os que se encontram dentro da bolha, perecem face às ilusões e não podem compreender os que se encontram no exterior.

O debate que permaneceu no período de 1997 a 2000, entre os interessados e não na bolha das empresas ponto com, em que os primeiros pensavam que conviviam com uma renovada economia, onde não se daria mais valor às obras impressas, pois avaliava-se o êxito em função da tecnologia de informação, ciberespaço onde aquela é escolhida e arrumada por temas, visitas constantes a sítios da “World Wide Web” e que converteram a sociedade industrial na sociedade da educação, que veio a ser infectada por toneladas de puro excremento, encarcerando mais mentes, principalmente a dos jovens e criando ou agravando problemas psicossomáticos nos adultos.

A ilusão em tais empresas chegou ao extremo, de no apogeu da bolha, inúmeras empresas da antiga economia, com maiores lucros, diminuírem o valor das suas acções na bolsa, ainda que as empresas ponto com, de maior procura não apresentassem lucros. A realidade externa era distinta, onde os lucros eram considerados valiosos.

Finalmente, os investidores do interior da bolham aperceberam-se que os valores das acções das empresas ponto com não estavam validadas em activos reais e daí o facto de a bolha ter explodido. Muitos são os defensores de que as ditas bolhas sejam totalmente nefastas, e desse modo, oferecem ganhos a alguns investidores durante certo período de tempo. Algumas acções ponto com foram resgatadas, bem como algumas hipotecas de má qualidade no momento de crise financeira mais profunda, beneficiaram os devedores.

Jorge Rodrigues Simão, in “HojeMacau”, 06.11.2009
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