JORGE RODRIGUES SIMÃO

ADVOCACI NASCUNT, UR JUDICES SIUNT

Oportunidades, dependência ou dominação

O longo caminho em direcção ao consumo e maior quantidade e qualidade dos alimentos continuará a crescer na China e Índia, e na maior parte do mundo em desenvolvimento. A Ásia, e em particular a China, apresentam grandes oportunidades para os países sul-americanos em tempo de crise financeira global. A grande questão é de como esses países aproveitarão essa fresta de oportunidade para conseguirem o desejado desenvolvimento. Sem mudanças internas, quer a nível das políticas, quer a nível das legislações e mentalidade não será possível lucrar com tais tendências estruturais a longo prazo.

A existência de um cardápio de regras que permitam criar uma possível reestruturação e reforma nos países sul-americanos, passa pela eliminação gradual das restrições às exportações, a considerada abertura determinada da Ásia, significativas reduções nos custos operacionais de transporte, uma melhor coordenação entre os serviços governamentais que têm competências pela promoção das exportações em termos nacionais e regionais, sistemas mais eficazes e transparentes de avaliação dos planos de incentivo às exportações e de competitividade, políticas de estimulo aos exportadores precursores, melhora do capital humano e da inovação e, nomeadamente, a garantia da estabilidade macroeconómica através de uma luta enérgica contra a inflação.

Os países sul-americanos entraram no corrente ano com o mundo repleto de desafios, mas também de oportunidades. Além da crise financeira internacional, o constante crescimento dos gigantes da economia mundial presenteia um futuro de esperança.

A China com prudência está a alterar os diversos equilíbrios em metade do mundo. Após ter esclarecido que praticamente não existirá sector privado, Hong-Kong e Singapura, indicam que várias empresas e bancos estatais competem em matéria de investimentos e participações no exterior.

Tendo como causa os sinais de volatilidade, a China espreita a África e observa a América do Sul com maior perspicácia. A China começou a produzir efeitos socioeconómicos no continente sul-americano. O presidente chinês na sua visita em 2005, pela América do Sul, criou situações de aproximação que se ampliaram nos últimos quatro anos. A crise sistémica nas economias centrais e as suas repercussões nas economias emergentes têm efeitos adversos.

O menor crescimento do PIB da China em 2009 que se prevê ser de cerca de 8% face aos 12% em 2008, fará que o país importe menos produtos primários e produtos industrializados semi-elaborados. O consequente reajuste para a América do Sul será difícil devido às escassas possibilidades de os colocar nos Estados Unidos e/ou na União Europeia (UE)com propensão a serem mais proteccionistas.

O mundo desenvolvido refere a China, Índia ou Brasil como mercados emergentes não sendo comparáveis, dado as diferenças serem gigantescas. Os três países transformaram-se em potências económicas. A China é o segundo PIB, sendo o terceiro se considerarmos a “Zona euro”, que acumula o maior superávit em conta corrente e reservas de cerca de quase 2,3 triliões de dólares no final de Maio. No período de 1978 a 2008, a China cresceu a uma média anual de 10%.

Pelo contrário, a América do Sul cresceu de forma mais vagarosa e desigual, pelo que é muito menos competitiva. Além dessa situação, depende demasiado das exportações primárias ou de pouco valor agregado, cujos preços são determinados por um mercado internacional onde os governos locais não têm qualquer influência. Daí que as suas flutuações dificultem o planeamento de políticas de rendimentos externos e as suas alterações.

Todavia, a China e o continente sul-americano partilham algumas ideias. Ambas acreditam nas ligações Sul/Sul, ainda que a China se encontre no hemisfério norte. Especificamente, a China e o Brasil têm posições comuns em temas como as negociações comerciais, subsídios agrícolas dos países desenvolvidos e cepticismo sobre a utilidade da OMC. Existem posições semelhantes no G-20. A China, Índia, Brasil, Argentina, México e outros países defendem a ideia de que os países em desenvolvimento devem participar em maior grau nas decisões e gestão das grandes questões da economia mundial, maxime, quando a globalização se circunscreve a fluxos comerciais e financeiros.

A China está vagarosamente a investir na América do Sul em sectores que não sejam o petrolífero, abrindo a questão da existência de espaço para o investimento da UE no continente sul-americano. Parece que as malhas se vão apertando para mal de sul-americanos que ficariam enfeudados aos americanos e asiáticos, mormente a China e para os europeus que ficariam sem acesso aos recursos naturais e mercados.

Jorge Rodrigues Simão, in "HojeMacau", 04.09.2009
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